Avança projeto de órgão de supervisão brasileiro


10 jun 2010 - Contabilidade / Societário

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Até o fim deste ano deve haver um desenho inicial de uma proposta para a criação de um órgão brasileiro de supervisão do trabalho dos auditores, que funcionaria de forma semelhante ao americano PCAOB.

Os estudos iniciais sobre um órgão desse tipo, que estaria focado no controle de qualidade do trabalho dos auditores, estão sendo conduzidos em conjunto pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

"Estamos neste momento na fase de começar a botar as nossas ideias no papel. Até o fim do ano devemos ter algo mais concreto", disse Ana María Elorrieta, presidente Ibracon, que esteve ontem no 2º Seminário Brasileiro de Auditoria Independente, organizado pelo próprio Ibracon e pelo CFC.

Um órgão de supervisão como o PCAOB tem em seu quadro não apenas auditores, como também pessoas com experiência em órgãos reguladores, advogados e membros de comitês de auditorias de companhias abertas.

Na época da primeira rodada de fiscalização no Brasil, por exemplo, o presidente do PCAOB era Mark Olson, que deixou o cargo no ano passado. Antes de assumir o comando do órgão de supervisão, Olson havia trabalhado por cerca de cinco anos no Federal Reserve, banco central americano, e feito carreira na firma de auditoria Ernst & Young.

O atual presidente do PCAOB, Daniel Goelzer, trabalhou por quase de 30 anos na Securities and Exchange Commission (SEC) e seus três companheiros de conselho têm experiência em advocacia e assessoria parlamentar.

O PCAOB foi criado nos Estados Unidos em 2002, após a edição da lei Sarbanes-Oxley, que foi uma consequência dos escândalos contábeis envolvendo as então gigantes Enron e WorldCom.

O órgão é uma entidade privada, sem fins lucrativos, e que tem como objetivo fiscalizar o trabalho de auditores de companhias abertas, com o intuito de melhorar a qualidade e proteger os investidores e a sociedade.

Uma das medidas que passa a valer a partir de 2011, por exemplo, é que as firmas de auditoria americanas terão que apresentar o balanço delas próprias em caráter confidencial ao PCAOB.

Recentemente, a Iosco, entidade que reúne as comissões de valores mobiliários de todo o mundo, colocou em consulta pública uma proposta com ideias para melhorar a qualidade do trabalho de auditoria. A assembleia anual do órgão está ocorrendo nesta semana no Canadá, mas nenhuma decisão foi divulgada.


Fonte: Valor Econômico