Brasil bate recorde de emprego e de impostos


18 mai 2010 - Trabalho / Previdência

Portal do ESocial

O Brasil acumulou um saldo de 962.327 empregos formais criados entre janeiro e abril, estoque equivalente a quase todo o contabilizado no ano passado inteiro (995.110). Os bons resultados da economia, que se recuperou dos abalos da crise internacional com a Expansão do crédito e do ganho das famílias, garantiram recordes históricos tanto para o primeiro quadrimestre do ano como para meses de abril, que terminou com a geração de 305.068 vagas. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apurados pelo Ministério do Trabalho (MTE) e divulgados ontem.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, reavaliou a estimativa do saldo de ocupações com Carteira assinada, que passou de 2 milhões para 2,5 milhões. O comportamento nos três primeiros meses da agricultura, indústria e Serviços me deixam seguro para ampliar a expectativa, disse. Para maio, a projeção do ministro é mais modesta: entre 240 mil e 280 mil postos.

Lupi também explicou a evolução ascendente da curva de emprego neste início de ano. Estão sendo ocupadas as vagas dos demitidos em 2009 e aquelas que atendem ao Aquecimento da Demanda dos últimos tempos, disse, ao se referir, principalmente, à indústria de transformação. Esse setor avançou 1,09% em abril, em comparação com março, resultado que ficou atrás somente da agricultura (2,63%). A construção civil também acumula saldo positivo: 1,61% no mês passado e 14,07%, em 12 meses.

Entre todos os ramos industriais, o segmento de calçados merece destaque. No ano passado, os calçadistas (1)foram atingidos em cheio pela queda nas vendas e pela concorrência com produtos asiáticos. Em recuperação, tiveram a maior alta do quadrimestre (10,21%).

Serviços
O setor de Serviços também colaborou positivamente para a geração de emprego no acumulado do no ano (0,72%). Essa fatia da Economia foi responsável pelo maior volume de vagas por três meses consecutivos: 96.583 (abril), 106.395 (março) e 85.607 (fevereiro). Quando os trabalhadores passam a ganhar mais, seja porque o salário está melhor ou porque há emprego, passa a existir mais demanda, aquecendo a Produção industrial e, por consequência, o consumo de serviços, detalhou Lupi.

Por motivos semelhantes, mas de forma mais tímida, o comércio mostra sinais de recuperação dos níveis pré-crise ao acumular altas entre janeiro e abril. Tanto o Varejo quanto o atacado tiveram volumes recordes no último mês: 34.015 e 6.710, respectivamente.

Lupi tratou com ressalvas as medidas adotadas pela equipe econômica para conter a inflação, como o aumento na Taxa de Juros e o corte de R$ 10 bilhões no Orçamento. A China tem índices de crescimento de dois dígitos e ninguém pede para que ela cresça menos. O nosso país tem que acabar com o complexo de inferioridade, criticou. Para ele, não há Risco de o país cair na armadilha do aumento de preços. O consumidor sabe valorizar seu salário porque sabe que o único que perde com a Inflação é o assalariado.

Ainda assim, ele ponderou que não há razões para confrontar as definições do Banco Central e do Ministério da Fazenda. Garanto que não vão existir cortes nos Investimentos já planejados. O que serão reduzidos são as contas de Custeio e os novos investimentos, disse.


1 - Recuperação do setor
A indústria de calçados viu o volume de importações brasileiras de sapatos chineses chegar a US$ 153,3 milhões, entre setembro de 2008 e março de 2009. O volume de negócios atingiu negativamente a Produção nacional. Com Faturamento em baixa, as fábricas calçadistas reduziram consideravelmente a quantidade de funcionários. A reação do governo brasileiro foi taxar a importação do produto, o que resultou na queda das compras chinesas para US$ 81,7 milhões entre setembro de 2009 e março deste ano. Com isso, nos últimos seis meses, a indústria está recompondo seus quadros.
Risco inflacionário

O crescimento de postos formais de trabalho corre o Risco de não se manter em patamares saudáveis até dezembro, de acordo com a avaliação do professor e Economista José Márcio Camargo, da PUC do Rio de Janeiro. É totalmente possível atingir 2 milhões, até 2,5 milhões de empregos em 2010. Mas onde estará a inflação?, questionou. Ele alertou que a pressão inflacionária causada pelo aumento da renda e dos custos operacionais vai impactar a indústria e pode provocar um desvio ainda maior nas metas do governo. O Banco Central fará de tudo para fechar o ano dentro da meta, mas no centro, será impossível. Avaliamos que a Inflação chegará a 5,9%, alertou.

Os economistas do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos do Banco Bradesco também acreditam em um avanço mais lento do saldo de emprego, apesar da manutenção do Aquecimento do mercado de trabalho. Esperamos uma redução no ritmo de geração de vagas nos próximos meses, fechando o ano com 2,1 milhões de empregos criados, informaram em nota.

Para Camargo, os impactos da alta nas taxas de juros e do arrocho de R$ 10 bilhões anunciado pelo Ministério da Fazenda na semana passada só devem se refletir na Economia no terceiro ou no quarto trimestre. Tempo insuficiente para evitar as consequências negativas do crescimento brasileiro. É notório que os gastos do governo estão contribuindo para aumentar a inflação. Os R$ 10 bilhões são melhor do que nada, mas não o bastante para frear a Economia ainda esse ano, disse.

Outro ponto negativo será, também na indústria, o uso da capacidade ociosa. Em março, a utilização da Capacidade Instalada chegou a 82,6%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Por esses motivos, Camargo afirmou que o desaquecimento da Economia só chegará a um nível seguro em 2011. A não ser que a crise econômica na Grécia abale substancialmente a Europa e, depois, atinja o Brasil, a desaceleração só estará equilibrada no ano que vem, concluiu o Economista da PUC-RJ.


Análise da notícia
Aposta na popularidade

Depois de um ano em que o governo enfrentou a crise com ações de estímulo à economia, o que se traduziu em criação de quase 1 milhão de novos empregos, o Ministério do Trabalho se empolgou e prometeu mais que dobrar a meta para este ano: primeiro falou em 2 milhões e agora já projeta 2,5 milhões até dezembro. Por trás de tanto otimismo estão o ano eleitoral e a intenção de impulsionar o máximo possível a candidatura da petista Dilma Rousseff à Presidência da República. Afinal, aumentar o número de brasileiros com Carteira assinada e com dinheiro no bolso é sempre uma boa estratégia para melhorar a popularidade de qualquer governante. Não é por outro motivo que as avaliações do governo Lula batem recordes sucessivos. E a esperança é que toda essa boa vontade dos eleitores seja transferida e se traduza em votos para Dilma.


Fonte: Correio Braziliense – DF