Publicado no DOU em 4 set 2026
Institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert); e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º É instituído o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) para fomento da produção, no território nacional, de fertilizantes e suas matérias-primas, de origem sintética, mineral e orgânica, bem como de remineralizadores, bioinsumos e biofertilizantes, com os seguintes objetivos:
I - reduzir a dependência externa do Brasil em relação a fertilizantes e suas matérias-primas;
II - garantir a segurança alimentar e nutricional;
III - diminuir os custos da cadeia de valor agropecuária; e
IV - garantir suprimento estável de fertilizantes e suas matérias-primas para a atividade agropecuária.
Art. 2º São beneficiárias do Profert as pessoas jurídicas que se dediquem à produção, no território nacional, de fertilizantes e suas matérias-primas, de origem sintética, mineral e orgânica, bem como de remineralizadores, bioinsumos e biofertilizantes, observado o disposto nesta Lei.
§ 1º Não poderão aderir ao Profert as pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 (Lei do Simples Nacional), bem como as pessoas jurídicas de que tratam o inciso II docaputdo art. 8º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso II docaputdo art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
§ 2º Regulamento estabelecerá a forma de habilitação e de coabilitação ao Profert, bem como os requisitos mínimos exigidos para adesão ao programa, a serem cumpridos pelas pessoas jurídicas de que trata ocaputdeste artigo, entre os quais:
I - apoio a iniciativas de desenvolvimento local e inclusão social;
II - manutenção de diálogo contínuo e transparente com as comunidades afetadas;
III - adoção de medidas para compensação, mitigação ou neutralização das emissões de gases causadores do efeito estufa nas etapas do processo produtivo; e
IV - adoção de procedimentos e tecnologias para ampliar a eficiência energética.
Art. 3º O Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) definirá o percentual de mistura obrigatória, em volume, de fertilizantes nacionais, sintéticos e minerais, aos fertilizantes comercializados, distribuídos e vendidos no território nacional, nos termos de regulamento.
§ 1º São estabelecidos os seguintes percentuais de mistura obrigatória em todo o território nacional:
I - 2% (dois por cento), a partir de 1º de julho de 2027; e
II - 10% (dez por cento), até 1º de janeiro de 2037.
§ 2º O Confert avaliará a viabilidade técnica do incremento anual do percentual de que trata o inciso II do § 1º e fixará o percentual obrigatório da mistura, em volume, aos fertilizantes comercializados, distribuídos e vendidos no território nacional entre os limites de 10% (dez por cento) e 30% (trinta por cento) a partir de 1º de janeiro de 2038.
§ 3º O Confert poderá alterar os percentuais anuais de mistura obrigatória de que trata o inciso II do § 1º, bem como a evolução da mistura entre 10% (dez por cento) e 30% (trinta por cento) de que trata o § 2º, devendo restabelecê-los depois de cessadas as condições motivadoras da excepcionalidade:
I - por motivo de interesse público, justificado;
II - por impossibilidade de cumprimento do percentual de mistura obrigatória em razão da insuficiência da produção nacional de fertilizantes.
§ 4º A mistura obrigatória de fertilizantes de que trata ocaputdeste artigo poderá ser cumprida de forma agregada.
§ 5º O Confert poderá estabelecer percentuais desagregados, para cada componente do fertilizante, desde que mantido o percentual volumétrico anual de mistura obrigatória de que trata ocaputdeste artigo, considerados a produção anual esperada e o grau de maturidade da cadeia de fertilizantes sintéticos e minerais no território nacional.
§ 6º O Confert deverá realizar análise de impacto regulatório para determinação dos percentuais anuais de mistura obrigatória, de que trata o § 3º, nos termos do art. 5º da Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019 (Lei da Liberdade Econômica), observados:
I - a disponibilidade, atual ou futura, de fertilizantes sintéticos e minerais;
II - a capacidade das infraestruturas e das instalações de produção ao longo do tempo;
III - a proteção dos interesses do consumidor quanto ao preço, à qualidade e à oferta firme de produtos; e
IV - o impacto do preço da mistura na competitividade da cadeia de valor agropecuária.
§ 7º O regulamento de que trata ocaputdeste artigo estabelecerá:
I - as substâncias sintéticas e minerais utilizadas para o cumprimento da obrigatoriedade de que trata este artigo; e
II - o prazo para que as matérias-primas utilizadas na produção nacional de fertilizantes sejam produzidas majoritariamente no território brasileiro.
§ 8º O descumprimento do percentual de mistura obrigatória de que trata o § 1º deste artigo passa a integrar o rol de infrações sujeitas às penalidades previstas no Decreto-Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967.
§ 9º Compete ao Poder Executivo a fiscalização do cumprimento do disposto neste artigo.
§ 10. (VETADO).
Art. 4º Observada a disponibilidade orçamentária e financeira, é a União autorizada a destinar recursos para linhas de financiamento reembolsável com a finalidade de apoiar projetos de investimento em produção, no território nacional, de fertilizantes e suas matérias-primas, de origem sintética, mineral e orgânica, bem como de remineralizadores, bioinsumos e biofertilizantes, das pessoas jurídicas habilitadas ao Profert.
§ 1º As linhas de financiamento a que se refere ocaputdeste artigo deverão atender a critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica alinhados aos objetivos do Profert.
§ 2º As linhas de financiamento a que se refere ocaputdeste artigo poderão consistir no financiamento a:
I - modernização, reativação e ampliação das plantas industriais e dos projetos de fertilizantes e suas matérias-primas;
II - atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação e ao aperfeiçoamento da cadeia de produção e distribuição de fertilizantes e suas matérias-primas;
III - infraestrutura para a integração de polos logísticos e a viabilização de novos empreendimentos de produção de fertilizantes e suas matérias-primas;
IV - mitigação de riscos e estabilização de preços por meio de contratos por diferença bidirecionais (Contracts for Difference- CFDs);
V - outros investimentos definidos no ato de que trata o § 7º deste artigo.
§ 3º Os recursos referidos nocaputdeste artigo serão repassados pelo Ministério da Fazenda ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
§ 4º As linhas de financiamento referidas nocaputdeste artigo serão fornecidas pelo BNDES ou por instituições financeiras por ele habilitadas, que assumirão os riscos das operações, incluído o risco de crédito, e as ofertarão aos beneficiários a que se refere ocaputdeste artigo, observados os critérios de elegibilidade de que trata o § 7º deste artigo.
§ 5º Para fins do disposto neste artigo, a União, por intermédio do Ministério da Fazenda, firmará contrato com o BNDES, mediante dispensa de licitação.
§ 6º As condições, os encargos financeiros, os prazos e as demais normas regulamentadoras das linhas de financiamento referidas nocaputdeste artigo serão estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional.
§ 7º Ato do Poder Executivo federal disporá sobre as linhas de financiamento referidas nocaputdeste artigo, inclusive quanto ao escopo e aos critérios de elegibilidade dos projetos financiáveis, aos critérios de sustentabilidade ambiental, social e econômica exigidos e aos limites e termos das referidas linhas de financiamento.
Art. 5º O Confert deverá monitorar e avaliar periodicamente os resultados do Profert.
§ 1º O Confert publicará relatório anual contendo, no mínimo:
I - volume de investimentos habilitados e efetivamente executados;
II - capacidade produtiva instalada e ampliada;
III - impacto na redução da dependência externa de fertilizantes e suas matérias-primas;
IV - volume de produção nacional adicional decorrente do programa;
V - indicadores de competitividade e segurança de abastecimento.
§ 2º O Poder Executivo, por meio do Confert, realizará avaliação bianual de efetividade econômica, fiscal e estratégica do programa e poderá revisar seus limites, critérios de habilitação e prioridades setoriais, devendo publicar relatório com os resultados de cada avaliação.
§ 3º A manutenção da habilitação dos projetos poderá ser condicionada à comprovação de execução física e operacional compatível com o cronograma aprovado, nos termos de regulamento.
Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 3 de setembro de 2026; 205º da Independência e 138º da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
André Carlos Alves de Paula Filho
Márcio Fernando Elias Rosa
Alexandre Silveira de Oliveira
Presidente da República Federativa do Brasil